>AI quer suspensão da ajuda militar à Colômbia

>Alguns filósofos, como Kant, já se debruçaram bastante em temas como “por que fazer o que é certo?” e “o que é o certo, afinal?”. O kantismo defende, na versão bocó fornecida aqui , que temos a obrigação de fazer o que é o certo, entendendo por certo o que é moralmente correto para cada um – o nosso dever. E estabelece um limite inexpugnável que se opõem aos utilitaristas dos fins que justificam os meios, somente com os resultados importando. O limite, para Kant, são as pessoas. Pessoas não são meios descartáveis, instrumentos vazios, atacáveis para conseguirmos o que queremos – são importantes por seu próprio valor intrínseco. Uma ação vil, ainda que se buscando os mais nobres fins, sempre será vil e deve ser rejeitada. Por que tudo isso? Porque muita gente na Anistia Internacional deveria ler o filósofo alemão.
A AI, Anistia Internacional, está recomendando a comunidade internacional o fim de toda a ajuda militar à Colômbia, para evitar o aumento das violações dos direitos humanos. O relatório da AI chamado de “Colômbia: deixem-nos em paz!, a população civil vítima do conflito interno” – belo nome – denuncia supostos abusos cometidos pelo governo Uribe, como execuções extrajudiciais, torturas e desaparecimentos contra a população. No mesmo relatório, a organização admite que os índices de violência diminuíram no país.
Vamos lá.
Nenhum governo tem o direito de trucidar seu povo, de privá-lo das garantias individuais básicas como o direito a um julgamento justo, por exemplo. Não existe qualquer justificativa plausível, nem mesmo o combate as FARC. Medidas vis, não importam os fins, continuam vis. Ponto.
Para quem tiver paciência de abrir o link abaixo, proponho uma brincadeira, um jogo de caça-palavras. Achem no texto da matéria as seguintes palavras: Forças, Armadas, colombianas, Colômbia e Uribe. Acharam algumas? Não foi tão desafiante assim, não é? Procurem agora por “revolucionárias”, “terroristas” e “narcotraficantes”. Nada? Hum… Quem será que está faltando nessa história?
A Anistia Internacional condena veementemente o governo colombiano, legalmente constituído e democrático por seus abusos. Não sou quem vai defendê-lo, condeno também, assino embaixo, se as acusações forem verdadeiros. Mas reprovo ainda mais as FARC. Terroristas. Bandidos. Usurpadores. Tentam impor sua vontade a força, usando o narcotráfico como fonte de receita. Matam a torto e a direito. Seqüestram pessoas e as mantém sobre seu cativeiro por anos. Em nome de sua ideologia – se é que realmente podem considerados seriamente como marxistas, para mim são apenas criminosos travestidos ­– fazem qualquer coisa. Pelos fins, que justificam seus atos nessa ótica míope, estúpida e cafajeste, vale tudo.
Se Uribe comete abusos, o que é bem plausível, as FARC dão um verdadeiro show de horrores de práticas dantescas. Porém a AI não está incomodada com as FARC. Nem preocupada com suas vítimas. Pode até não aprovar seus métodos, pelos menos não em público, mas enxerga as atividades dos narcoterroristas com uma benevolência, com um carinho e simpatia que não compartilham nem com o governo colombiano nem com o povo do país. A AI faz a distinção entre as condutas de cada lado pela ideologia e as vitimas de cada um. O mal das FARC, e seu grandioso rol de atos criminosos, é um instrumento para um bem maior – o socialismo. O mal de Uribe é imperdoável porque é de direita. O povo que sofre nas mãos das FARC é mero instrumento, uma perda aceitável para um resultado desejado; pode ser ignorado então. O que apanha das mãos governamentais é o único que precisa de guarida. Conversa para boi dormir. Dialética típica dos “iluminados”.
Não dá para levar a sério uma organização que levanta a voz para gritar contra o Estado, mas empresta aos terroristas um silencioso sorriso de aprovação. Muito cuidado com quem faz defesa seletiva dos direitos humanos. Com quem considera que a suposta ideologia dos algozes absolve seus crimes. Os que agem assim não defendem, verdadeiramente, os direitos de nenhum de nós. Fazem, sim, propaganda, no melhor sentido de Goebbels, muito bem disfarçada de preocupação – e os pobres dos humanos, com seus direitos e tudo, que vão para o inferno.

Sobre doutorcasa

Neurocirugião autodidata, paranormal e carpinteiro.
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