>O que é Matrix?

>Em outras postagens já tornei bem claro o que penso sobre os programas mais balados do governo federal, sobretudo o PAC: propaganda e propaganda sem-vergonha. Mas até então o máximo que enxergava era uma forma espalhafatosa de anunciar investimentos comuns, como os de tapar buracos de uma estrada sob a competência federal, feitos da maneira mais carnavalesca possível. Investimentos chinfrins tratados como coisa extraordinária para manter a turba extasiada. Obras anunciadas bem antes de qualquer possibilidade de sairem do papel, como provam as diversas cujos únicos sinais que o Estado andou um dia por lá é uma placa vagabunda anunciando a proeza.
Estava sendo inocente porque Lula foi muito além de qualquer expectativa. Volto depois.

Do Estadão:

“’Não há limite de tempo, portanto não me cobrem’, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 25, durante o lançamento do programa de habitação do governo federal em Brasília que a construção das 1 milhão de casas previstas no pacote pode não terminar em seu mandato. “Se tudo tivesse pronto, se soubéssemos quais os terrenos dos Estados e das prefeituras iríamos usar, poderíamos fazer em dois anos. Mas não tem limite de tempo, portanto não me cobrem”, afirmou o presidente. Lula prometeu que no dia 13 de abril, o projeto começará “a todo vapor”. “A gente não tem de se importar com o tempo. Gostaria que terminássemos em 2009. Se não conseguirmos, 2010 ou 2011…””

Em outro trecho:

“O presidente Lula avaliou que a maior dificuldade na implantação do programa está nas grandes cidades. “É onde a gente tem mais dificuldade porque tem mais gente degradada, em situação ruim, e o terreno é mais escasso e caro.” Lula pediu a governadores e prefeitos que cedam áreas de estados e municípios para baratear o custo de construção das moradias.”

Na íntegra em http://www.estadao.com.br/noticias/economia,nao-ha-limite-de-tempo-portanto-nao-me-cobrem-diz-lula-,344645,0.htm

Vejam só. O mané aqui pensava que quando as obras do tal PAC se arrastavam era por incompetência mesmo. Ou por falar muito e fazer pouco, uma das características marcantes de nosso líder. Nunca pensei, juro, que pudesse ser deliberado. Mas é.
O marketing que elegeu e reelegeu o “Bússola de Garanhuns” chegou a seu ponto final. Se antes ainda tentavam mascarar obras abstratas com a possibilidade de se concretizarem agora nem isso.
É só ler e nem precisa ir as entrelinhas. O “maior programa de habitação” será feito “um dia”. 2010,11,50, tanto faz. Não precisa de um prazo para ser cobrado por nós. No que dia que der, se der, eles farão. Ou não. Porém o anúncio taí: “a todo vapor” a partir de 13 de abril.
Onde? Pior ainda. Os terrenos estão pela hora da morte e governo federal contará que prefeituras e governos estaduais, mais os empresários, arrumem uns nacos de terra para erguer as casinhas. Não rolou? Só não podemos cobrar do Lula porque ele já se eximiu de qualquer responsabilidade. O chefe do Executivo – poder que, na versão mais simples desde Monstesquieu, deveria, sei lá, executar talvez – disse “portanto não me cobrem”.

Aplausos. Não precisa mais de um nexo entre a realidade e um projeto. As coisas do mundo das idéias podem permanecer por lá, bonitonas no “ideal”. Basta anunciar, caprichar na cartilha e fazer campanha. Não deu? Azar. O Poder Executivo mudou para Poder Pensativo e pronto. Apenas a existência do ideal de um projeto seja ele inviável, insuficiente, idiota, ou três em um, para fazer barulho serve. Chovendo além da conta no Sul? Que tal projeto para mandar a chuva pro sertão? Prontinho. Inundou no lugar errado? Sem cobranças, tudo zen. Sensacional.
Finalmente a grande obra de Lula mostra sua cara. O cara construiu a Matrix. Estamos metidos num mundo de dados manipuláveis que parece real, que poderia ser real, a serviço da doutrina, do partido e de sua perpetuação no poder. O povo bocó não precisa de plugues da cabeça, apenas a televisão já dá conta do recado, para comprar as ilusões e aplaudir embasbacado. A máquina estatal vai propagando, sem limites, a imagem da “Agente Smith”, devidamente escolhida e recauchutada para 2010, com as histórias da carochinha que a acompanham.
Enquanto isso, na oposição, nada de Morpheus, Trinity e, muito menos, Neo.

Haja pílula vermelha.

Sobre doutorcasa

Neurocirugião autodidata, paranormal e carpinteiro.
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Uma resposta para >O que é Matrix?

  1. Anonymous disse:

    >O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União Marinus Marsico entra amanhã com representação no TCU solicitando que Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, devolva os salários que recebeu desde 2003, época em que começou a trabalhar no gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, Luciana admitiu que trabalha em casa e não vai ao Senado. Na mesma representação, Marsico também pede que os quase quatro mil servidores que ganharam hora extra em janeiro, quando o Congresso estava de recesso, devolvam o dinheiro. Ele também quer que a diretora de Comunicação do Senado, Elga Mara Teixeira Lopes, que trabalhou em cinco campanhas políticas sem se afastar do cargo, faça o mesmo.”Os três casos envolvem funcionários do Senado e são funcionários que receberam valores e não ofereceram a contraprestação de serviços. Peço que sejam apuradas as denúncias e, se confirmadas, a devolução dos valores ao Tesouro Nacional”, explicou Marsico, que pretende encaminhar amanhã ainda pela manhã a representação ao presidente do TCU, ministro Ubiratan Aguiar. Caberá ao ministro Raimundo Carrero, que foi secretário geral do Senado antes de ir para o Tribunal, decidir se aceita ou não a representação.O Senado gastou R$ 6,2 milhões com o pagamento de hora extra para quase quatro mil servidores, em janeiro, mês em que o Congresso não funciona. Com um salário de R$ 7,6 mil mensais, a filha do ex-presidente Fernando Henrique afirmou que “trabalha mais em casa” porque faz “coisas particulares” para Heráclito Fortes. Luciana justificou ainda que não vai ao Senado porque “é uma bagunça e o gabinete é mínimo”. Nomeada pelo senador José Sarney (PMDB-AP), em 2003, como diretora de Modernização Administrativa e Planejamento do Senado, Elga Lopes se ausentou da Casa e trabalhou em cinco campanhas políticas sem se afastar do cargo.

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